Periódico deve abordar cultura, saúde, esporte e notícias gerais das etnias.

Jornal Refugiados Indígenas

Homens, mulheres, anciões e jovens indígenas das etnias venezuelanas Warao e E’ñepa, que vivem no abrigo Pintolândia, em Roraima, sob gestão da Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI), em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), criaram o jornal comunitário “Deje Nome” com a intenção de publicar notícias verdadeiras e com o objetivo de afirmar a identidade destes povos.

A primeira edição foi lançada em junho deste ano, e deverá ter periodicidade mensal ou bimestral. Também será produzida a versão online para ampliar sua divulgação. É dividido em editorias, como Notícias Gerais sobre as etnias fora de Roraima, Saúde, Cultura e Esporte. “A ideia é que eles contem quem eles são sob diferentes perspectivas”, explica Gabriel Tardelli, colaborador da Fraternidade  – Humanitária (FFHI) que idealizou o projeto.

A iniciativa surgiu após os abrigados demonstrarem incômodo com a imagem negativa sobre suas etnias construída pela difusão de notícias cujo teor limita a existência dos refugiados a aspectos negativos, como o uso de bebidas alcoólicas e supostos crimes.

“Uma liderança indígena veio conversar comigo sobre a imagem negativa dos Warao e falar que eles são mais do que o que se diz”, conta o antropólogo e coordenador de campo do abrigo Janokoida, Gabriel.

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“Os indígenas não são como pensam algumas pessoas, também sabemos fazer muitas coisas, por exemplo, na agricultura, pesca, construir famílias, entre muitas coisas”, escreve Euligio Baez, um aidamo (cacique) Warao que vive há três anos no Brasil, em uma matéria sobre artesanato.

Nesta edição, o jornal comunitário “Deje Nome” aborda cânticos tradicionais que afirmam a identidade Warao, o mito dos E’ñepa, os desafios da produção de artesanato no Brasil e um campeonato de futebol realizado no abrigo. Também trouxe um pequeno dicionário Espanhol – Warao de termos da medicina tradicional da etnia e uma resenha sobre o filme ‘Dauna, lo que lleva el río’, um longa-metragem venezuelano em língua Warao e vencedor de diversos prêmios.

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Comunicação, um direito humano

Com a ampla disseminação de notícias falsas, as fake news, as populações vulneráveis se deparam com mais um desafio: o de ter uma representação midiática condizente com suas realidades – seu passado, seu presente e suas perspectivas futuras.

A comunicação popular e comunitária se consolida como importante ferramenta na garantia de direitos humanos, possibilitando o acesso à informação e à produção de notícia, dando voz às comunidades tradicionais, movimentos sociais, grupos vulneráveis e minorias.  Representa, em suma, espaço para participação democrática da população, que pode contar suas histórias e compartilhar informações úteis para os seus grupos.

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